
Inaugura este Sábado (dia 16 Janeiro 2010) na Ordem dos Arquitectos em Lisboa, a mostra da representação oficial à Bienal Arquitectura de S. Paulo em 2009 > CINCO ÁFRICAS / CINCO ESCOLAS.
Este projecto coloca-me grandes dúvidas sobre a sua pertinência. Apesar de na sua apresentação sempre se declarar que o projecto vai evoluir para uma segunda fase - a da construção, parece-me evidente que tal nunca irá acontecer. Ficamos assim com um conjunto de maquetas irrelevantes. Sem os devidos apoios que aqui seriam determinantes para dar sentido à ideia inicial, estar a conceber projectos para escolas que não vão ser construídas nas antigas colónias portuguesas parece-me no mínimo um acto de "cinismo pós-colonial". Uma atitude paternalista, irrelevante do ponto de vista prático, que em nada beneficia as populações locais, uma divagação egocêntrica e virtual, da qual só os participantes, os arquitectos nomeados pelo comissário desta participação Manuel Graça Dias podem retirar proveito, pela participação legitimadora em mais um acto institucional.
Em tempo de regresso ao velho "Império Lusitano", fascinados que estamos pela abundância e prosperidade económica de alguns desses países, nomeadamente Angola, parece que alguém se esqueceu de que "de boas intenções está o Inferno cheio". Agora que África está na moda, e os "estudos pós-coloniais" chegaram ao discurso de alguns, talvez fosse o momento de finalmente se reflectir sobre a nossa presença e não apenas regressar "ao local do crime" de forma insensata e oportunista.
p.m. janeiro 2010
>>>

Cinco Áfricas / Cinco Escolas Comissário: Manuel Graça Dias
Participantes e Projectos: Inês Lobo: Uma escola para Cabo Verde Pedro Maurício Borges: Uma escola para a Guiné-Bissau Pedro Reis: Uma escola para São Tomé e Príncipe Jorge Figueira: Uma escola para Angola Pedro Ravara+Nuno Vidigal: Uma escola para Moçambique

Nota de Imprensa / DGA
"Cinco equipas de arquitectos portugueses - Inês Lobo, Pedro Maurício Borges, Pedro Reis, Jorge Figueira e Pedro Ravara/Nuno Vidigal - pertencentes a uma geração nascida em 1960, com formações, modos de ver e sensibilidades diferentes, representam Portugal na 8ª Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo, que se realiza entre 31 de Outubro e 6 de Dezembro de 2009.
A representação oficial portuguesa, organizada e produzida pela Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura, é comissariada pelo arquitecto Manuel Graça Dias e desenvolvese sob o título genérico Cinco Áfricas/Cinco Escolas.
A proposta portuguesa envolve assim cinco projectos para edifícios escolares nos cinco países africanos de língua oficial portuguesa (Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), que se caracterizam pela sua grande qualidade arquitectónica, pela sua adequação às condicionantes locais e pela sua forte sustentabilidade, em termos de manutenção futura e de resposta, quer social quer ambiental.
A proposta de Portugal reveste-se do ponto de vista institucional de especial interesse na medida em que vai ao encontro da Declaração dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (adoptada em 2000, por todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas), nomeadamente pela «Meta 2. Garantir que, até 2015, todas as crianças, de ambos os sexos, terminem um ciclo completo de ensino primário (...)» A partir dos projectos entretanto desenvolvidos, foram executadas cinco maquetas a uma escala expressiva que constituem o objecto principal da exposição. Foi editado um catálogo que ilustra o método de trabalho e os resultados da acção.
Não se devendo esgotar na exibição em São Paulo o esforço dispendido, os projectos encomendados poderão depois seguir para os respectivos destinos, tentando o Governo português (através de patrocínios comerciais ou institucionais) a sua viabilização, em termos de construção. Uma “segunda edição” do catálogo deverá vir a ser divulgada, englobando em mais um ou dois cadernos os resultados finais das operações de construção dos diversos projectos." (DGA / 2009)
(...)
15-01-2010
Topo
|