A CULTURA DO CORTE...
 para acabar de vez com a cultura

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A CULTURA DO CORTE...
para acabar de vez com a cultura


Num país em que os criadores trabalham desde há muito com fracos recursos, em que as decisões de cosmética são tomadas maioritariamente para resolver problemas imediatos, a dança das cadeiras eternizasse, num modelo avesso a delinear e a concretizar estratégias a médio e longo prazo.

Espectáculo lamentável de sucessivas indecisões, de compromissos políticos inconsequentes, de arrufos pessoais imponderados, assim marcha a Cultura em Portugal nas últimas décadas.


No inicio o verbo conjugado é sempre o aumentar, todos afirmam que dessa vez a Cultura terá um maior peso no orçamento do Estado, promessa vã!
Agora numa altura em que outros cortes são efectuados em diversos sectores da vida nacional a Cultura torna a ser um alvo demagogicamente fácil. Todos os agentes envolvidos na criação em Portugal – criadores e decisores – sabem que os valores das verbas que circularam para a criação nos últimos anos estavam no limite. Não é possível continuar a cortar naquilo que já é tão pouco.
A contradição ainda é maior quando temos estudos nacionais e internacionais a provar a importância do sector na actividade económica, representando em Portugal 2,8% da riqueza gerada.
Contra as prioridades anunciadas e contrariando a tendência geral da Europa o governo português deu mais um empurrãozinho para a queda no vazio da criação contemporânea em Portugal.
Sendo assim vamos ter compromissos públicos a não serem cumpridos, vamos ter os Museus públicos sem dinheiro para programação e que se limitam a pedir aos criadores para apresentarem projectos a custo zero de forma a poderem no final do ano encher os seus relatórios de actividades gratuitas e assim justificar o seu funcionamento e a manutenção das suas equipas, vamos ter espaços de criação independente a fechar, galerias a fechar, paralisação de colecções institucionais de arte contemporânea, adiamento ou cancelamento de projectos e exposições e a lista poderia continuar.

Estranho país este em que a Cultura sempre foi entendida pelos políticos como um adereço de exibicionismo do poder.
Um país que não protege e desenvolve a sua cultura, através de um decisivo investimento na educação e na valorização crítica da sua história é um país moribundo e sem perspectivas de futuro.

Talvez os nossos políticos sejam os coveiros de uma morte anunciada.


Paulo Mendes, Julho 2010

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10-07-2010

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