PAULO MENDES
 Reprint in Real-Time
 exposição individual 
 de fotografia
 na Galeria Reflexus
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PAULO MENDES

REPRINT in REAL-TIME­­

Inaugura Sábado _ 6 de Novembro 16h
6 Nov a 11 de Dez _ 2010

Exposição individual onde apresenta novos trabalhos em fotografia.

REFLEXUS Galeria arte Contemporânea

Rua Miguel Bombarda, 531 / 4050 - 383  Porto - Portugal
T +351 93 686 64 92  Info@reflexus.net
Terça a Sábado das 15h ás 19h

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TRÁFICO / TRÁFEGO (FREEZE FRAME)
WORK IN PROGRESS 1991-2010


TRÁFICO / TRÁFEGO (FREEZE FRAME) do qual fazem parte as fotografias da exposição é um registo / arquivo de imagens, cujo suporte original são slides de 35 mm, que vem sendo trabalhado e ampliado também em vídeos e instalações desde 1991. Fragmentos deste arquivo foram sendo apresentados ao longo dos últimos anos em várias exposições.

Série de trabalhos que fazem uma abordagem às alterações urbanísticas nas cidades, aos espaços ambíguos e marginalizados da paisagem urbana, inventariando memórias de um passado pós-industrial e dum presente rendido às condições mínimas de sobrevivência. Este levantamento questiona a reorganização do espaço público e urbano para o qual constantemente se reivindica a ordem, a regulamentação e a homogeneização, comprometido que está pela especulação imobiliária.


Produção _ PLANO 21. associação cultural
Apoio _ BLUES PHOTOGRAPHY STUDIO


> Texto original de Godofredo Pereira que acompanha a exposição >


Sobre REPRINT in REAL-TIME

1 .
Abandono ou degradação são tidos como processos passivos na transformação da cidade, resultados inevitáveis do esquecimento ou desvalorização de certas zonas, revelando as assimetrias económicas do tecido urbano. Mas contrariamente ao que se possa pensar, raras vezes estes processos são um simples resultado de uma infeliz circunstância. Pelo contrário, resultam de um princípio activo de omissão que se deve a múltiplos factores, tais como a especulação imobiliária, conflitos políticos, lutas de heranças, entre outros. Da mesma forma, não é por acaso que associado às ruínas esteja sempre o medo, ou que a cidade se transforme progressivamente num território de múltiplos medos. Este é também modo activo de transformação: na atribuição de medo a uma zona, dá-se a possibilidade de consenso sobre a necessidade da sua transformação, redistribuindo os seus habitantes e redesenhando as pré-existências. E é nesta inscrição de medos na cidade enquanto forma de urbanismo, que reside o princípio da decadência ou abandono, enquanto fórmula eficaz de fazer corresponder um medo à sua imagem.

Assim, a lenta auto-destruição da cidade não pode ser ignorada na lista das estratégias urbanísticas, veja-se o caso da zona oriental do Porto que durante tantos anos foi esquecida dos planos e dos melhoramentos, e que está agora preparada para a renovação em larga escala, sem oposição. Mas é também curioso observar que alianças se estabelecem então, entre este princípio activo de decadência e uma série de agentes não-humanos: ratos, clima, ar, ferrugem, todos eles urbanistas e arquitectos de direito próprio. Se os ratos são largamente reconhecidos como motores históricos de renovação urbana (influência da peste e outras doenças infecciosas para o higienismo arquitectónico) também o ar enquanto motor de corrosão é essencial para a imagem decadente da cidade, principalmente das suas zonas industriais.

Acontece então que entre esta decadência propositada, a falta de limpeza, ou o mau funcionamento dos mecanismos políticos e económicos que asseguram a manutenção do tecido urbano, crescem cidades inteiras. Crescem nas traseiras dos edifícios públicos, nas obras inacabadas, nos espaços desertos, nas ruas desleixadas, nos jardins arruinados. Só que contrariamente ao que se diz, estes lugares não são nunca lugares mortos, à espera de vida, mas lugares que fervilham de actividades, ocupados ou atravessados por acontecimentos, por jogos e brincadeiras de quem não tem outros sítios, por negócios obscuros, por pessoas e animais. São apropriados na sua especificidade, de lugares menores que não pertencem às narrativas da auto-imaginação da cidade.

E pela calada, são os espaços do abandono e degradação, habitados e vividos, que nos forçam mais claramente uma ideia renovada de território, que já não pode simplesmente entendido na mera condição de superfície passiva sobre a qual se inscrevem histórias, mas como um plano dinâmico e em transformação, do qual o humano participa, em conjunto com uma multidão de outros agentes. E se assim for, deixam de haver simplesmente sujeitos e objectos, mas conjuntos ou agregados com agência: cartazes, memórias, sombras, destroços, velharias, etc. A subjectividade urbana passa a ser assumida numa dimensão territorial, transversal aos mecanismos epistémicos da sua produção.


2.

E depois a violência ou os diversos graus de urbicídio. A destruição de bairros inteiros, deixando uma população sem território, sem casa e de certa forma, sem identidade. Não há nada de romântico na transformação da cidade, já que as suas convulsões características implicam uma violência sobre pessoas, objectos, modos de vida, animais e espaços. Mas esta violência não tem por objecto necessariamente as populações (por mais que exemplos destes abundem, no caso das comunidades imigrantes ou de alguma etnia minoritária), mas a inscrição de princípios invisíveis no espaço da cidade, num reordenamento do espaço público que implica necessariamente o reordenamento dos modos de vida. Ora pela simples decisão de controlar os modos e os processos pelos quais se faz cidade, esta é também a violência da autorização ou autoridade legal, que pressupõe um regime de extensas exclusões, de quem não pode nem deve participar na construção dos seu próprio habitat. Aqui o problema legal da autorização é também o da representação ou da visibilidade. E então a violência urbana é enquadrada no âmbito de uma luta relativa à imagem que nos representa porque a imagem não é nunca só uma imagem, conquista sempre um valor acrescentado. Nessa magia iconográfica a imagem é sagrada e o sagrado é também a própria imagem.

Contudo, há um certo espelhar desta violência de estado num outro tipo de violência, a vandalização ou violência contra o estado. Esta assume a sua visibilidade máxima na destruição de estátuas, na vandalização dos monumentos e dos edifícios institucionais. Mas o iconoclasta continua a mesma luta pela sacralização do espaço, já que a vandalização é também ela necessariamente feiticista: vandaliza-se o edifício institucional para adquirir parte do seu poder, derivando-o agora para uma outra imagem. O vandalismo é então uma tentativa de conquista de visibilidade no espaço urbano, uma tentativa de participar e de ser reconhecido nas decisões sobre o território. E por isso a intervenção sobre o objecto como modelo privilegiado de acção, nos murais, nos cartazes, na revolta que desmascara e revela o que se esconde por detrás da face visível da cidade.

Temos então uma luta de violências, uma de planeamento e outra de revolta, contra a própria ideia de espaço público, no que alberga de pernicioso, no que implica de uma definição do público desse mesmo espaço. O espaço é público porque todos se podem manifestar nele, deste que se manifestem de acordo com os princípios de quem o pensou, e então todos são poucos. E ao abrigo desta luta sobre a face, ou o visível da cidade, passam despercebidas todas as transformações invisíveis, sem face, que não podem nunca ser vandalizadas.


3.
Talvez portanto uma terceira forma também ela violenta, a do húmus, o quotidiano, que se impõe pela profanação, pela transformação absorta da dessacralização que comete. É que o quotidiano promove o encontro entre violência e decadência, enquanto constantes que continuam lá, no seu dia a dia inevitável, e por isso selvagem, incontido, produtos da necessidade de existir. O quotidiano cruelmente corrói todos os objectos, maiores e menores, impondo uma constante mudança de alianças entre os elementos que constituem o território da cidade, e por isso periga também as movimentações revoltosas, por lhes desmascarar sem interesse o objecto de fúria. Esta constante sem ‘autor’ - húmus incógnito – é o pano de fundo, as traseiras do teatro urbano. Por isso acaba por estar presente antes , durante, e após os processos de gloriosa transformação.

Mas o húmus não é necessariamente subversivo, pelo contrário, muitas vezes opera com o visível um contrato tácito, como dois regimes distintos de funcionamento de uma mesma máquina indisciplinada, que corrói em qualquer direcção. Mais propriamente esse húmus invisível não será exactamente aquilo que não se vê, mas sim o que não é visto, o que não é retratado ou assumido: é um segredo público, todos sabem que lá está mas não é mencionado. Ou seja, se o visível corresponde às transformações assumidas, às disputas mediáticas, já o invisível corresponde às transformações constantes, ao quotidiano sem destaque público ou mesmo sem público. Um segredo que estabelece que as disciplinas actuem sempre na pressuposição de que a cidade é do domínio do visível, e se é invisível, então não está lá.


4.
Crítica ou fuga, são termos possíveis entre outros, para a tentativa de questionar o modo como nos é apresentada esta redução do invisível ao visível. Porquê este visível e não outro? Questiona-se não o ícone que é falso, mas o processo de constante produção de novos ícones. Não há por isso uma cidade verdadeira, mas apenas um continuado redesenhar da sua face, mantendo o debate em torno ao visível e dessa forma permanentemente mantendo o invisível em plano de fundo, não olhado. Ora uma fuga para fora desta mecânica do visível vs invisível implica efectuar um movimento transversal às especialidades disciplinares, que naturalmente compactuam numa extensa dialéctica de relações primárias: natural/ artificial; humano/ não-humano; morto/ vivo; privado/ público; cidade/ campo. E por isso uma prática renovada, em que visível e invisível não se opõem, mas estabelecem de diferentes formas uma série de filiações e alianças entre elementos heterogéneos, que num certo momento se agregam na produção de uma subjectividade comum, para logo depois se dispersarem em novas mutações.

O material que constitui o registo fotográfico produzido ao longo de 10 anos por Paulo Mendes e que é agora exibido em REPRINT in REAL-TIME, constitui neste sentido uma prática fotográfica que irrompe pelas fronteiras da arqueologia e da etnografia, num movimento transversal, ao mesmo tempo crítico e em fuga. Da primeira retira-lhe o objecto, o estudo das culturas a partir da análise de vestígios materiais, mas deita por terra a fixação com o passado. Uma arqueologia do presente. Da segunda, recupera-lhe o método, mas alarga-lhe o horizonte  para além do que é simplesmente humano, incorporando múltiplos outros agentes. E se tradicionalmente a vontade de decifrar a cidade ou a transformação urbana a partir dos seus vestígios materiais remete para um bem intencionado acto de nostalgia, que convenientemente esquece o presente onde se encontra, aqui pelo contrário, não se trata de olhar para os objectos enquanto simples memórias de um qualquer passado, mas para a memória como elemento activo das cidades em que nos encontramos hoje.

E talvez por isso o trabalho de Paulo Mendes surja biograficamente no interior destes processos, reconhecendo o seu papel no húmus, na multiplicidade de subjectividades não vistas que transformam a vida da cidade. Uma interioridade que nega o privilégio da posição crítica, e problematiza o próprio acto de olhar, como uma forma intensa de participação. Questionar sem se colocar do lado de fora, do outsider, mas como mais um elemento activo na cidade, actor entre muitos outros, nos seus processos.

Godofredo Pereira, Novembro 2010.


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REPRINT in REAL-TIME

reprint
A reprint is a re-publishing of material that has already been previously published. The word reprint is used in many fields.

A new printing of a publication which has no changes from the original.

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To publish something that has been published before.

Separately issued reprint of a part of a publication or document.

(in)

real-time

Of or relating to computer systems that update information at the same rate they receive information.

Being instant, instantaneous or immediate.

Real-time computer graphics, the producing and analysis of images in real time.

A system is said to be hard real-time if the correctness of an operation depends not only upon the logical correctness of the operation but also upon the time at which it is performed. An operation performed after the deadline is, by definition, incorrect, and usually has no value. In a soft real-time system the value of an operation declines steadily after the deadline expires.

Massively multiplayer online real-time strategy (MMORTS) is a category for computer games that combines real-time strategy (RTS) with a large number of simultaneous players over the Internet. It is a type of massively multiplayer online game.

Data from the source that are available for use within a time that is short in comparison to important time scales in the phenomena being studied.

Data presented in usable form at essentially the same time the event occurs. The delay in presenting the data must be small enough to allow a corrective action to be taken if required.


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05-11-2010

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